quarta-feira, 18 de novembro de 2009

O pé preto


Fazendo arte no Chá de Bebê da Luiza!





quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Apaga a luz!

É impressionante como nos tornamos dependentes das tecnologias do mundo contemporâneo. Internet, televisão, celular... e tudo isso junto numa coisa só. Quanto mais gadgets temos, mais frágeis e inúteis somos.

Ontem, o apagão nos pegou de surpresa. Eu estava no teatro assistindo Grupo Corpo. A coreografia se chamava Breu, e no começo achei que a falta de luz tinha relação com a apresentação. Depois das desculpas dos organizadores, saímos e nos deparamos com o caos. São Paulo estava às escuras.

Chegar em casa foi um tanto tenso. Ruas sem sinalização, pessoas correndo, pontos de ônibus lotados, celulares sem funcionar. A confusão era enorme. Pelo rádio do carro, o único veículo de cominicação disponível, éramos informados que o apagão era bem maior do que imaginávamos. Estávamos carentes de notícias.

Em casa, depois de subir seis lances de escada, resolvemos curtir a luz das velas. O silêncio. Era um bom momento para conversas e carinhos, sem interferências eletrônicas. Era um bom momento para o amor.

As luzes logo voltaram. As coisas foram tomando de volta seus lugares. Ligamos a TV para ver o que de fato havia acontecido. Sobrevivemos. Me senti um tanto besta por ter tido medo do escuro. Por que ficar aflita com as sombras?

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Já dizia Chico Science

(e olha que eu nem curtia muito o som dele)

uma cerveja antes do almoço é muito bom pra ficar pensando melhor...

terça-feira, 3 de novembro de 2009

A tal da inspiração

Idéias. Inspiração. Criatividade. Motivos para produzir arte. Consequência de estímulos cerebrais. Motivação. Vontade. De onde vem tudo isso? Por que transformamos sentimentos em textos, imagens, cores, figuras? Como fazemos isso?

Cada um tem seu método, seu tempo, suas loucuras na hora de produzir. Eu comecei a reparar nas minhas. Tudo começou quando notei que a produção desse mal escrito blog estava cada vez mais escassa. Os textos foram rareando, e citações tomaram o lugar de criações originais.

Pensei, pensei. Por onde andava minha inspiração? Pra que lugar foram o pensamento verborrágico, a ironia, o grito?

Só consegui chegar a uma conclusão: minhas mãos escrevem freneticamente nos piores momentos da minha vida. Na tristeza. Na solidão. No escuro. É ai que, querendo colocar para fora tudo o que existe de ruim, eu teclo como nunca. Clamo, berro, acuso, vomito. Alivio o peito. Tiro dos meus ombros a carga.

Eu uso meus textos e, principalmente, esse blog para sacudir minha vida. Dizer para mim mesma que sim, que é possível. Maus momentos vão embora e se tornam risadas mais tarde. Aprendizado.

E é por isso que a Sacudidora anda quietinha. Ela já falou demais. Exorcizou seu demônios. Está plena. Em paz. Ela encontrou a felicidade.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Mais uma de quem sou eu

Louca
Carente
Chorona
Mimada
Encanada
Ciumenta
Teimosa
Mandona
Respondona
Friorenta
Peste
Ranzinza...

... como tem gente que aguenta?

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Todas elas juntas num só ser - Lenine

Feita pra mim! ;)

Não canto mais Babete nem Domingas
Nem Xica nem Tereza, de Ben jor;
Nem Drão nem Flora, do baiano Gil;
Nem Ana nem Luiza, do maior;
Já não homenageio Januária,
Joana, Ana, Bárbara, de Chico;
Nem Yoko, a nipônica de Lennon;
Nem a cabocla, de Tinoco e de Tonico;
Nem a tigreza nem a vera gata
Nem a branquinha, de Caetano;
Nem mesmoa linda flor de Luiz Gonzaga,
Rosinha, do sertão pernambucano;
Nem Risoflora, a flor de Chico Science,
Nenhuma continua nos meus planos.
Nem Kátia Flávia, de Fausto Fawcett;
Nem Anna Júlia do Los Hermanos.

Só você,
Hoje eu canto só você;
Só você,
Que eu quero porque quero, por querer.

Não canto de Melô pérola negra;
De Brown e Hebert, uma brasileira;
De Ari, nem a baiana nem Maria,
Nem a Iaiá também, nem minha faceira;
De Dorival, nem Dora nem Marina
Nem a morena de Itapoã;
Divina garota de Ipanema,
Nem Iracema, de Adoniran.
De Jackson do Pandeiro, nem Cremilda;
De Michael Jackson, nem a Billie Jean;
De Jimi Hendrix, nem a doce Angel;
Nem Ângela nem Lígia, de Jobim;
Nem Lia, Lily Braun nem Beatriz,
Das doze deusas de Edu e Chico;
Até das trinta Leilas de Donato,
E de Layla, de Clapton, eu abdico.

Só você,
Canto e toco só você;
Só você,
Que nem você ninguém mais pode haver.

Nem a namoradinha de um amigo
E nem a amada amante de Roberto;
E nem Michelle-me-belle, do beattle Paul;
Nem Isabel - Bebel - de João Gilberto;
E nem B.B., la femme de Serge Gainsbourg;
Nem, de Totó, na malafemmená;
Nem a Iaiá de Zeca Pagodinho;
Nem a mulata mulatinha de Lalá;
E nem a carioca de Vinícius
E nem a tropicana de Alceu
E nem a escurinha de Geraldo
E nem a pastorinha de Noel
E nem a namorada de Carlinhos
E nem a superstar do Tremendão
E nem a malaguenha de Lecuona
E nem a popozuda do Tigrão

Só você,
Hoje elejo e elogio só você,
Só você,
Que nem você não há nem quem nem quê.

De Haroldo Lobo com Wilson Batista,
De Mário Lago e Ataulfo Alves,
Não canto nem Emília nem Amélia,
Nenhuma tem meus vivas! E meus salves!
E nem Angie, do stone Mick Jagger;
E nem Roxanne, de Sting, do Police;
E nem a mina do mamona Dinho
E nem as mina – pá! - do mano Xiz!
Loira de Hervê e loira do É O Tchan,
Lôra de Gabriel, o Pensador;
Laura de Mercer, Laura de Braguinha,
Laura de Daniel, o trovador;
Ana do Rei e Ana de Djavan,
Ana do outro rei, o do baião
Nenhuma delas hoje cantarei:
Só outra reina no meu coração.

Só você,
Rainha aqui é só você,
Só você,
A musa dentre as musas de A a Z.

Se um dia me surgisse uma moça
Dessas que com seus dotes e seus dons,
Inspira parte dos compositores
Na arte das palavras e dos sons,
Tal como Madallene, de Jacques Brel,
Ou como Madalena, de Martinho;
Ou Mabellene e a sixteen de Chuck Berry,
E a manequim do tímido Paulinho;
Ou como, de Caymmi, a moça prosa
E a musa inspiradora Doralice;
Se me surgisse uma moça dessas.
Confesso que eu talvez não resistisse;
Mas, veja bem, meu bem, minha querida;
Isso seria só por uma vez,
Uma vez só em toda a minha vida!
Ou talvez duas... mas não mais que três...

Só você...
Mais que tudo é só você;
Só você...

As coisas mais queridas você é:
Você pra mim é o sol da minha noite;
É como a rosa, luz de Pixinguinha;
É como a estrela pura aparecida,
A estrela a refulgir, do Poetinha;
Você, ó flor, é como a nuvem calma
No céu da alma de Luiz Vieira;
Você é como a luz do sol da vida
De Steve Wonder, ó minha parceira.
Você é pra mim e o meu amor,
Crescendo como mato em campos vastos,
Mais que a gatinha para Erasmo Carlos;
Mais que a cigana pra Ronaldo Bastos;
Mais que a divina dama pra Cartola;
Que a domna pra Ventadorn, Bernart;
Que a honey baby pra Waly Salomão
E a funny valentine pra Lorenz Hart.

Só você,
Mais que tudo e todas, é só você;
Só você,
Que é todas elas juntas num só ser.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Mimimis

Eu sou reclamona. Reclamo de (quase) tudo. Do tempo, da chuva e do sol, do tempero da comida, da preguiça, do sono, de pessoas, da vida. Acho que quando nasci, reclamei da temperatura da sala de parto e do excesso de luz. Mimimis básicos.

Quando pequena, reclamava por não poder comer Danoninho e por minha mãe viajar muito. Na adolescência, reclamava dos meninos e suas brincadeiras idotas, de ter que escolher tão cedo uma profissão, das baladas tardias.

Hoje, reclamo de (apenas) 3 coisas: frio, fome e sono. Bom... isso quando não reclamo do trabalho também. Fazer o que? É a minha natureza.

Tentei mudar, mas o pior é que tem gente que acha isso charme! Mas eu não faço tipo, sou assim ranzinzinha mesmo.

Qualidade ou defeito, é desse jeito que sou. Complicada e perfeitinha! Cheia de mimimis.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

A casa do Oscar

A casa do Oscar era o sonho da família. Havia o terreno para os lados da Iguatemi, havia o anteprojeto, presente do próprio, havia a promessa de que um belo dia iríamos morar na casa do Oscar. Cresci cheio de impaciência porque meu pai, embora fosse dono do Museu do Ipiranga, nunca juntava dinheiro para construir a casa do Oscar. Mais tarde, num aperto, em vez de vender o museu com os cacarecos dentro, papai vendeu o terreno da Iguatemi. Desse modo a casa do Oscar, antes de existir, foi demolida. Ou ficou intacta, suspensa no ar, como a casa no beco de Manuel Bandeira.

Senti-me traído, tornei-me um rebelde, insultei meu pai, ergui o braço contra minha mãe e sai batendo a porta da nossa casa velha e normanda: só volto para casa quando for a casa do Oscar! Pois bem, internaram-me num ginásio em Cataguazes, projeto do Oscar. Vivi seis meses naquale casarão do Oscar, achei pouco, decidi-me a ser Oscar eu mesmo. Regressei a São Paulo, estudei geometria descritiva, passei no vestibular e fui o pior aluno da classe. Mas ao professor de topografia, que me reprovou no exame oral, respondi calado: lá em casa tenho um canudo com a casa do Oscar.

Depois larguei a arquitetura e virei aprendiz de Tom Jobim. Quando a minha música sai boa, penso que parece música do Tom Jobim. Música do Tom, na minha cabeça, é a casa do Oscar.

Chico Buarque
Poemas, testemunhos, cartas - 2000

O Chico é demais! =)

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Há algo de estranho no Reino da Dinamarca

Definitivamente alguma coisa está estranha. Algo bizarro no ar... Moleza. Sono. Fome. Vontade de passar o dia na cama, enrolada no edredon. Sem a menor vontade de trabalhar.

Acho que é o meu Pecado Capital favorito se manifestando: a preguiça!

E fora isso, tô sensível. Um vontadinha de chorar por qualquer coisa. Até com comercial de margarina!

Será a bendita TPM?

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Diário - página 16

Ela não estava bem. Definitivamente. Era muito insegura. E isso a atormentava. Depois de um fato acontecido na última semana, e que ela só ficou sabendo há bem pouco tempo, se sentiu mal. Infantil. Culpada. Milhões de caraminholas na cabeça. Por que tinha feito aquilo? Pra que? Não precisava provar nada pra ninguém. Nada mesmo.

Não sabia o que fazer, nem o que pensar. Só queria que as coisas passassem. Voltassem ao normal. Bom, mas existe a normalidade?

Não gostava de causar nada de ruim a ninguém. Não queria se sentir responsável pela infelicidade de nenhuma pessoa. Logo ela que sempre fez o bem...

Estava confusa. Queria dormir uns 3 dias.